quarta-feira , julho 26 2017
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A polêmica pílula da USP para tratar câncer: vamos ignorar ou pensar nos pacientes?

Desde a semana passada, uma substância de nome difícil de pronunciar ganhou destaque na imprensa e virou assunto entre pacientes e familiares de quem trata câncer: fosfoetanolamina.  A história é polêmica: uma decisão judicial obriga a Universidade de São Paulo, campus São Carlos, no interior do estado, a distribuir cápsulas de uma substância química anunciada como cura do câncer.

A fosfoetanolamina não é um remédio e muito menos foi testada em humanos. Também não há registro pela Anvisa (quem autoriza um produto a virar medicamento). Mesmo assim, a USP tem recebido mandados judiciais para cumprir. E muitas pessoas continuam buscando a Justiça.

O produto vinha sendo entregue de graça por funcionários da USP no campus de São Carlos. Uma portaria do Instituto de Química restringiu esta distribuição. O caso virou uma questão de Justiça porque pessoas com câncer passaram a entrar na Justiça para obter o produto da USP.

A USP não consegue fabricar a substância em larga escala porque não é indústria. E a droga não é remédio. Mas existem pesquisas que indicam resultados positivos no combate ao câncer. E os pacientes que recorrem a este recurso, muitas vezes estão “condenados pela Medicina”. Então, é a última esperança em muitos casos. E há grupos em redes sociais de vários relatos de pacientes que usaram a substância. Eu tenho certeza de que não se trata de efeito placebo. Com câncer, a conversa é outra….ele não se permite “brincar de placebo”.

O renomado Instituto Butantan pesquisa desde 2012 o potencial da substância fosfoetanolamina sintética para combater o câncer.E os resultados têm revelado que a droga reduz o tumor. E todos os resultados positivos estão sendo publicados em revistas científicas renomadas.

Na semana passada, o professor Durvanei Augusto Maria, pesquisador do Laboratório de Bioquímica e Biofísica da instituição, disse que há estudos na instituição sobre o uso da fosfoetanolamina sintética em tumores de mama em células humanas, tumores de mama com metástase em camundongo, tumores do sistema nervoso central e câncer de fígado.
Os pesquisadores são médicos, biólogos, dentistas, veterinários e biomédicos, cursando mestrado ou doutorado, na condição de bolsistas da CNPq, Capes e Fapesp. Os estudos não contam com pacientes, apenas camundongos recebem a fosfoetanolamina. Os primeiros resultados mostram que a substância reduziu o tumor e diminuiu o número de formação de metástases. E sem alterações na parte imunológica e nas funções dos rins e fígado.
Não dá para ignorar estes resultados e nem é justo tirar a esperança de centenas de pacientes com câncer!
A USP alega que o pesquisador que descobriu o mecanismo da droga nunca pediu registro na Anvisa. Oras, o pesquisador é químico, e não médico. Por que ninguém ajudou este acadêmico, ninguém responde. O fato é que os pacientes não podem ser ignorados!! O assunto não pode ser anulado por outras pautas.

Vejam trecho da nota da USP divulgado na semana passada, em carta aberta aos pacientes.

“A USP não é uma indústria química ou farmacêutica. Não tem condições de produzir a substância em larga escala, para atender às centenas de liminares judiciais que recebeu nas últimas semanas. Mais ainda, a produção da substância em pauta, por ser artesanal, não atende aos requisitos nacionais e internacionais para a fabricação de medicamentos. Por fim, alertamos que a substância fosfoetanolamina está disponível no mercado, produzida por indústrias químicas, e pode ser adquirida em grandes quantidades pelas autoridades públicas. Não há, pois, nenhuma justificativa para obrigar a USP a produzi-la sem garantia de qualidade”.

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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