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A Vida com Câncer de Mama Avançado

A Vida com Câncer de Mama Avançado

*Maira Caleffi

*Luciana Holtz

Existe vida após o diagnóstico de câncer de mama metastático. A doença, mesmo em sua fase mais avançada, não é uma sentença de morte. Trata-se, sim, de um forte adversário. Mas essa realidade está mudando graças às armas que temos para lutar contra o tumor. Hoje é possível viver anos a mais nessa fase da doença. Mais tempo é o que queremos e o que precisamos garantir às pacientes com câncer de mama metastático. Existem casos em que a demora no acesso aos exames de imagem, como mamografia e biópsia, pode ser a causa do atraso na detecção do câncer de mama.

Somente este ano, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima que sejam descobertos 57 mil novos casos de câncer de mama no País – é o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil, exceto o de pele não-melanoma. Mais de 50% dos casos da doença no sistema público de saúde já são descobertos em estágios avançados. Em 30%, a doença progride para o estágio metastático. Vale reforçar que o diagnóstico precoce ainda é nossa melhor opção para curar o câncer de mama. Mas não podemos esquecer das pacientes metastáticas. O fato é que muitas mulheres vivem com câncer de mama metastático e pouco se fala sobre isso.

Recente pesquisa do Instituto Datafolha revelou quase metade dos brasileiros desconhece a doença. Como instituições representantes dos pacientes e defensores dos seus direitos, lutamos para dar às mulheres mais tempo para viver. Isso só é possível se elas tiverem acesso aos tratamentos adequados. O avanço científico viabilizou novas linhas de tratamento contra o câncer – por exemplo, os medicamentos que atacam prioritariamente as células tumorais. Infelizmente, o acesso a esses tratamentos é limitado, principalmente para as mulheres atendidas pelo sistema público de saúde. Ao contrário dos estágios iniciais, em que o SUS oferece terapias-alvo para alguns tipos da doença, na fase metastática, é disponibilizada apenas a quimioterapia, sem respeitar as características específicas da célula tumoral. Ao médico cabe a responsabilidade de informar à paciente que, embora existam tratamentos mais adequados, estes não estão disponíveis dentro do sistema público, condição estabelecida no código de ética médico. Em muitos casos, essa informação não chega à paciente.

Entendemos o desafio da saúde pública no Brasil e a necessidade de atender as várias patologias da população que depende do SUS. Também entendemos a necessidade de fazer mais com menos. No caso do câncer metastático, a luta é pelo controle dessa doença por meio de terapias inovadoras. A cada dia que esperamos para discutir como tornar esses tratamentos acessíveis, mais mulheres perdem a luta contra o câncer de mama metastático. O papel do SUS é atender à saúde dos brasileiros em qualquer etapa de uma doença, e não só quando podem ser curadas. Os avanços da medicina comprovaram que hoje é possível controlar o câncer de mama metastático.

Precisamos dar essa chance para todas as mulheres. Nossa luta é contra a doença. Lutamos por mais tempo, mais oportunidades de ver o filho crescer, o neto se formar ou mesmo viver o sonho ainda não realizado.

*Maira Caleffi, presidente da Femama 

* Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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