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Vacinar adultos ajuda a proteger bebês de meningite

Meningite é uma das doenças que causam pânico só de pensarmos. Não é verdade? e sabemos que crianças pequenas formam um dos grupos mais vulneráveis à meningite meningocócica, especialmente aquelas que não completaram o esquema vacinal contra a doença. Para garantir a proteção desse grupo, portanto, é fundamental que familiares e cuidadores também estejam imunizados contra a bactéria Niesseria meningitidis, ou meningococo. Isso porque adolescentes e adultos jovens estão entre os principais transmissores do microorganismo e podem abrigá-lo na região da orofaringe por semanas, infectando os mais suscetíveis, mesmo sem desenvolver a doença.

Uma revisão de estudos publicada recentemente pela revista científica The Lancet aponta que a prevalência de portadores sem sintomas ou sinais do meningococo chega a 23,7% em jovens de 19 anos, caindo para 4,5% na infância e ultrapassando os 70% no caso de indivíduos que vivem em comunidades fechadas, como quartéis e residências universitárias.

“A vacinação dos adolescentes é importante porque ela elimina o estado de portador, de modo que o jovem deixa de transmitir a bactéria para as populações mais suscetíveis, como crianças pequenas e idosos. Vale lembrar que se trata de uma doença grave, que pode levar à morte em poucas horas”, afirma o  médico Ricardo Feijó, professor-associado do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)  e chefe da Unidade de Adolescentes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA).

Grande parte das crianças diagnosticadas com meningite meningocócica contrai a doença justamente por meio de portadores assintomáticos, especialmente membros da família e cuidadores, segundo a literatura médica. “Isso ocorre porque, em geral, o sistema imunológico das crianças ainda está em desenvolvimento, é mais frágil”, explica Feijó.  Diante desse cenário, o Dia Mundial de Combate à Meningite, celebrado em 24 de abril, representa uma oportunidade para a conscientização sobre a importância da vacinação.

A partir deste ano, o Ministério da Saúde estendeu a vacinação contra a meningite tipo C, a adolescentes de 12 a 18 anos. Já a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda que adolescentes e jovens, assim como o público infantil, recebam a vacina meningocócica conjugada quadrivalente (ACWY), que protege contra os quatro principais sorogrupos da bactéria que circulam no Brasil.

Entre as opções de vacina meningocócica que protegem contra  quatro sorogrupos importantes de meningococo (ACWY) está Nimenrix, da Pfizer. O imunizante pode ser administrado em crianças a partir dos 12 meses de idade, adolescentes e adultos. Para as pessoas de 11 a 19 anos não vacinadas na infância, a SBIm recomenda duas doses, com intervalo de cinco anos. Já para os vacinados quando crianças é indicada uma dose de reforço aos 11 anos ou cinco anos após o último reforço na infância.

A doença

A meningite é a forma clínica mais comum da doença meningocócica, uma infecção grave nas membranas que revestem o cérebro. De progressão rápida, é capaz de levar à morte em 24 horas se não for tratada de forma adequada. Também pode deixar sequelas importantes, como perdas auditivas, distúrbios neurológicos e lesões cutâneas graves, que muitas vezes levam à amputação dos membros. O contágio se dá pela saliva, quando a pessoa infectada tosse, espirra ou beija, e a transmissão ocorre principalmente quando há convívio com o indivíduo contaminado.

           

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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