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Visão de crianças corre risco, aponta IBGE

O renomado oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto,  faz um alerta aos pais: o último censo do IBGE  (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que 2,2 milhões crianças com idade entre 6 e 14 anos têm alguma dificuldade para enxergar.

O problema é que as crianças não relatam essa dificuldade aos pais. Segundo o oftalmologista, isso acontece porque 75% das alterações visuais não apresentam sintomas  no início. A boa noticia é que 60% da cegueira é evitável e 20% é curável. Um  problema no Brasil, ressalta ,  é o “teste do olhinho” não ser obrigatório em todo o país. Por isso, mais da metade dos bebês não passam pelo exame logo que nascem. Resultado: Muitas das doenças congênitas quando são diagnosticadas já comprometeram definitivamente a visão. O oftalmologista afirma que o completo desenvolvimento do sistema visual só acontece aos 8 anos de idade. Mas aos 2 anos, destaca, 90% já está desenvolvido. Por isso, a primeira consulta deve ser feita nesta idade.

Sinais de alerta

A dica para os pais é prestar atenção  aos sinais que indicam alterações na visão. As principais elencadas pelo especialista conforme a faixa etária são:

  • Pupila opaca ou acinzentada em recém-nascidos – Indica doenças congênitas como catarata ou retinoblastoma (tumor ocular). São alterações causadas por doenças infecciosas contraídas pela mãe durante a gestação, como: toxoplasmose, sífilis e rubéola. O diagnóstico é feito pelo teste do olhinho que consiste em focalizar sobre o olho do bebê a luz de um oftalmoscópio, espécie de lanterna, logo após o nascimento. O médico explica que se o reflexo for contínuo e vermelho indica visão saudável. Se for descontínuo indica doença e exige tratamento cirúrgico de emergência.
  • Lacrimejamento excessivo até 2 anos- “Sinaliza obstrução do canal lacrimal ou glaucoma congênito causado por trauma no parto ou gestação”, afirma. A desobstrução do canal lacrimal é um procedimento ambulatorial e o glaucoma exige cirurgia.
  • Reflexo descentralizado entre os olhos ou tombar a cabeça para um lado entre 2 e 5 anos: “Sinaliza estrabismo ou desalinhamento dos olhos que frequentemente desencadeia a ambliopia ou olho preguiçoso”, diz Queiroz Neto. O tratamento é feito com a oclusão do olho mais forte para estimular o desenvolvimento do outro. O médico lembra que a ambliopia é a maior causa de cegueira monocular. O tampão só é efetivo, ressalta, quando usado antes dos 8 anos. Os pais podem checar se a criança tem estrabismo  através do teste do reflexo corneano. Consiste em avaliar a simetria através da observação do reflexo da luz de uma lanterna colocada próxima aos olhos da criança. Se o reflexo estiver centralizado nas duas pupilas. os olhos estão alinhados. Caso contrário, um oftalmologista deve ser consultado.
  • Ver TV de perto, afastar muito o livro para ler ou cerrar os olhos em ambientes bem iluminados a partir do 6 anos – Sinalizam, respectivamente, miopia, hipermetropia e astigmatismo. Queiroz Neto afirma que estes erros de refração não corrigidos são apontados pelo CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) como a principal causa de deficiência visual na infância. Por isso, a recomendação é toda criança passar por uma triagem visual ainda na idade pré-escolar.

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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