terça-feira , julho 25 2017
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Artigo: Musculação, a atividade física ideal no envelhecimento

*Sandra Nunes de Jesus

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 O envelhecimento é um fenômeno natural, definido como “processo de diminuição das capacidades orgânicas, não decorrente de doença, e que acontece inevitavelmente com o passar do tempo”. É um fenômeno natural, mas que pode levar a um aumento da fragilidade e vulnerabilidade. Embora a maior parte dos adultos apresente problemas de saúde com o passar do tempo, a idade avançada não precisa implicar em dependência, e isso também tem relação com os aspectos genéticos e com o estilo de vida adotado ao longo dos anos. Mesmo que o envelhecimento tenha seus efeitos indesejáveis, como desgastes das articulações e diminuição da sua mobilidade, podemos chegar a esse período com excelentes condições de saúde.

 O envelhecimento é considerado saudável do ponto de vista orgânico quando não existem doenças ou quando as mesmas estão controladas. Nesse sentido, a atividade física contribui, e muito, para prevenir doenças crônicas e para a manutenção de boas condições funcionais.  Muitas pessoas, no entanto, ainda ignoram que o processo de envelhecimento é contínuo e gradativo e se inicia muito antes da própria velhice. A partir dos 30 anos, a massa muscular, importante componente físico para a realização das atividades diárias, já começa a sofrer uma discreta perda, acentuando-se após os 50 anos, quando chegamos a perder 10% dessa massa por década, implicando na redução da força muscular. Como geralmente ainda somos muito ativos entre os 30 e 40 anos, não damos conta dessa perda gradual.

 Se conseguirmos manter ou reduzir a perda de massa muscular ao longo da nossa vida, minimizamos os seus impactos negativos, como a redução do gasto energético diário, o aumento da gordura corporal, a diminuição da força, as instabilidades articulares e as dores musculoesqueléticas. O exercício mais eficiente para melhorar a força e a massa muscular é o treinamento resistido, ou a musculação, como é popularmente conhecida.

 É importante destacar que o aumento da musculatura depende de alguns fatores como a constituição genética, alimentação e descanso adequados. O estresse e a ingestão de alguns tipos de medicamentos também podem impactar no ganho de massa muscular, mas o aspecto mais determinante é a genética individual. Por outro lado, mesmo quando não conseguimos ganhos de massa muscular expressivos, todos somos capazes de melhorar a força muscular com a prática da musculação, independentemente da idade.

O envelhecimento acompanhado do sedentarismo pode agravar os problemas físicos, levando à incapacidade funcional, e contribuindo para o desenvolvimento de doenças crônico degenerativas, como o diabetes melittus, a hipertensão, a obesidade, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer.

 Os efeitos promotores à saúde pela atividade física estão relacionados com as chamadas miocinas, substâncias anti-inflamatórias naturais, produzidas durante as contrações musculares, substâncias essas que contribuem na prevenção e no controle das doenças citadas acima. Pesquisas apontam que a atividade física que melhor produz essas substâncias é o treinamento resistido. Por essa razão os benefícios da musculação ultrapassam as adaptações fisiológicas e a melhora da capacidade física, tendo um papel fundamental na promoção da saúde de qualquer indivíduo.

 Muitas idosos procuram academias por orientação médica quando seus problemas já estão instalados e muitas vezes até em fase evolutiva bem limitante. Se não são bem supervisionados ou acompanhados podem ter os seus sintomas agravados, levando à uma falsa impressão de que a musculação pode machucar. Os profissionais de Educação Física precisam de conhecimento além do campo do treinamento físico, que é a base da sua formação. Conhecer as principais doenças musculoesqueléticas e as suas limitações físicas é fundamental no acompanhamento de qualquer aluno, e não apenas do idoso.

* Sandra Nunes de Jesus é formada em Educação Física e Pedagogia; especialista em fisiologia do treinamento resistido na saúde, na doença e no envelhecimento pela Faculdade de Medicina da USP, coordenadora-técnica do Instituto Biodelta.

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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