quarta-feira , agosto 23 2017
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Artigo: Testosterona: de vilã a mocinha

*Por  Renato Lobomedicorenato

 
A testosterona é um hormônio produzido naturalmente pelo nosso
corpo e é responsável por diversas funções, como desenvolvimento
muscular, formação óssea, libido e bem estar. Ele é encontrado
tanto em homens quanto em mulheres, porém nelas a quantidade é
aproximadamente 10 vezes menor que no sexo oposto. Nos homens, ela
é produzida principalmente nos testículos, enquanto que nas
mulheres, sua produção se dá nos ovários e nas glândulas
supra-renais.

Apesar dos seus diversos efeitos benéficos, a produção normal
desse hormônio decai a partir dos 30 anos, com uma queda ainda mais
acentuada naqueles que fumam, são sedentários e/ou consomem
bebidas alcoólicas. Entre os sintomas que podem surgir com essa
queda hormonal estão: diminuição da massa muscular e força,
aumento da gordura corporal e dificuldade para perder peso,
depressão, fadiga, falta de foco, dificuldade de concentração e
diminuição da libido. Esses sintomas podem estar presentes tanto
em homens quanto em mulheres e podem prejudicar a vida dos
indivíduos, piorando ou predispondo a outras doenças, como
osteoporose, anemia, diabetes, síndrome metabólica.

O tratamento mais aceitável é feito com testosterona bioidêntica,
que é uma estrutura idêntica ao hormônio naturalmente produzido
pelo nosso corpo, sob a forma de gel que deve ser usado diariamente,
para repor o hormônio, a fim de atingir os valores fisiológicos,
melhorando a qualidade de vida de quem sofre com esse problema.

Entretanto, é fundamental o acompanhamento de um especialista, pois
a superdosagem do hormônio pode causar efeitos colaterais, como o
aumento da próstata e dos glóbulos vermelhos, que são os
transportadores de oxigênio no sangue. No caso de alguém com
anemia, esse efeito colateral pode até ser benéfico. Mas outros
efeitos que podem ocorrer, principalmente se não usado de forma
adequada, são o aumento da oleosidade da pele, com consequente
aumento de espinhas, perda de cabelo, infertilidade em homens e
características masculinas, como engrossamento da voz, nas
mulheres.

Antigamente, acreditava-se que o uso de terapia com testosterona
aumentava o risco cardiovascular dos pacientes tratados, porém em
estudos recentes publicados em importantes revistas médicas
internacionais, esse risco não tem sido observado e vê-se até uma
diminuição da incidência de doenças cardiovasculares. No mais
recente, publicado em abril desse ano, pesquisadores da Califórnia
estudaram mais de 44 mil homens acima de 40 anos com deficiência de
testosterona. Entre os pacientes que recebiam a terapia de
reposição de testosterona (TRT), o risco de eventos
cardiovasculares, como infarto e AVC foi de aproximadamente 30%
menor que o grupo sem tratamento.

Até mesmo o risco de câncer de próstata tem sido revisto: um
estudo alemão publicado na revista médica Aging Male analisou e
comparou biópsias de próstata de paciente recebendo reposição de
testosterona e pacientes sem tratamento. Os que recebiam o
tratamento apresentaram os menores números de biópsias positivas,
sendo que elas se encontravam num estágio menos avançado do que o
grupo sem tratamento. Todos esses novos achados vem desmistificando
a TRT e fazendo com que ela não seja vista mais como vilã e sim
como o mocinho da história.

Vale ressaltar, ainda, que a reposição de testosterona permite a
redução da gordura corporal, inclusive da gordura visceral – a
grande vilã das doenças do coração -, aumento da massa muscular
e da força, que são fatores preditivos para melhor função e
menor mortalidade no envelhecimento, além de melhora do humor, da
depressão e melhora da vida sexual.

É fundamental que a terapia seja feita somente por médicos para
que o acompanhamento seja constante, a fim de regular a dose
hormonal que será administrada e controlar os efeitos adversos, que
podem ser insignificantes perto dos efeitos positivos na qualidade
de vida do ser humano.

*Renato Lobo é médico, pós graduando em nutrologia, com
atuação em emagrecimento, ganho de massa muscular e desempenho
esportivo.

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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