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Ideias voltadas à saúde e à qualidade de vida representarão o Brasil em evento na Alemanha

 A invenção de um retinógrafo portátil, que pode ser acoplado a um smartphone comum e gera imagens de alta resolução da retina – o primeiro a fazer isso no mundo –, é a ideia que ficou com o 1º lugar na votação ocorrida na noite desta segunda-feira, 19 de setembro, durante a etapa brasileira do Falling Walls Lab. O segundo lugar ficou para um projeto de células-tronco induzidas (iPS) para realização de testes de medicamentos. O retinógrafo foi apresentado pelo engenheiro da computação José Augusto Stuchi; já o projeto de iPS foi mostrado pelo biólogo Diogo Biagi.

As ideias foram apresentadas na 4ª edição do Falling Walls Lab, um fórum, uma plataforma internacional e interdisciplinar única durante a qual estudantes, acadêmicos e profissionais apresentam projetos inovadores e que geram impacto positivo na sociedade. É tradicionalmente realizado na Alemanha. No Brasil é realizado pela A.T. Kearney em parceria com o Centro Alemão de Ciência e Inovação – São Paulo (DWIH-SP) e a Universidade de São Paulo (USP), por meio do Instituto de Física (INFUSP).

José Augusto e Diogo agora vão representar o Brasil, no dia 9 de novembro, na Alemanha, quando farão a mesma apresentação, de três minutos, a um público formado por líderes em diversos campos da ciência, negócios, política, artes e sociedade, além de convidados de várias partes do mundo, durante a versão internacional do prêmio. Eles concorrerão com os representantes de mais de 80 nações, que também apresentarão suas ideias, vencedoras em seus países de origem, durante o mesmo tempo: três minutos. As apresentações poderão ser acompanhadas pelo http://www.falling-walls.com/lab.

“A parceria do Brasil com a Alemanha, por meio do DWIH-SP, propicia que inciativas importantes como essa aconteçam e sejam conhecidas e viabilizadas. Destaca-se em 2016 a quantidade diversificada dos 15 projetos finalistas. Vale ainda destacar o aumento das inscrições neste ano: foram 94 ideias, 50% a mais que em 2015. O próximo passo agora é a Alemanha, onde o nosso País será muito bem representado, dado o impacto social, tecnológico e econômico que as ideias ganhadoras têm em comum”, disse o sócio do escritório da A.T. Kearney, François Santos, logo após a escolha dos representantes brasileiros:

Além de François, a mesa da versão brasileira do Falling Walls Lab contou com a presença do diretor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, Prof. Dr. Marcos Nogueira Martins, do Cônsul Geral da república Federativa da Alemanha em São Paulo, Dr. Axel Zeidler, e da presidente do Conselho Diretor do Centro Alemão de Ciência e Inovação, Dra. Martina Schulze. Formaram a banca de juízes: a jornalista e docente da Fundação Cásper Líbero, Profª Dra. Cilene Victor, o coordenador do Laboratório de Sistemas Computacionais para Projeto e Manufatura (SCPM) da Universidade Metodista de Piracicaba, Prof. Dr. Klaus Schutzer, o diretor de pesquisa e inovação tecnológica do Bradesco, Marcelo Frontini, o gerente de inovação da AES Brasil, Ricardo Kahn, e o Professor Visitante Nacional Sênior pelo PVNS/CAPES e ex-reitor da universidade Federal do ABC, Dr. Adalberto Fazzio.

Conheça as ideias vencedoras

O retinógrafo SRC, de Smart Retinal Camera, foi apresentado pelo engenheiro da computação José Augusto Stuchi que, juntamente com os sócios Diego Lencione, que é físico, e Flávio Pascoal Vieira, que é engenheiro elétrico, fundou há seis meses a start upPhelcom – cujo nome é a junção das iniciais da formação dos três, em inglês: PH, de physicist (físico), EL, de Electric (elétrico) e COM, de Computation (computação).

“O SRC é um dispositivo oftalmológico que captura imagens do fundo do olho para diagnóstico médico”, explicou Stuch. “De baixo custo, é consonante à telemedicina, portanto, possibilita diagnóstico remoto e pode ser utilizado em qualquer lugar, por mais distante e ermo que seja. É destinado a crianças, pessoas acamadas, assim como por comunidades remotas e não atendidas”, complementou. Stuchi explicou, ainda, que o que motivou os sócios da Phelcom a desenvolver o projeto é o número alto de pessoas com problemas de visão – há mais de 4 milhões de deficientes visuais e mais de 1,2 milhão cegos no País, segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia. “A relação entre o Zica Vírus e a microcefalia, com danos na retina e nervo ótico aumentam essa demanda. Estamos desenvolvendo nosso projeto de modo a atender todo os pontos importantes que foram descobertos na nossa própria pesquisa de mercado com centenas de oftalmologistas. O objetivo é criar soluções inovadoras para um mundo melhor”, conforme trecho de um vídeo disponível no site da empresa.

Criar novos medicamento a partir de células do próprio corpo, como um pouco de sangue ou um pedaço da pele, por exemplo, foi o feito que deu a Diogo Biagi o 2º lugar. O biólogo, criou em 2013 a start up Pluricell Biotech junto com o então orientador Alexandre Pereira, que é médico e viria a se tornar seu sócio, assim como o também biólogo Marcos Valadares, a partir de uma tese de doutorado que veio a se tornar o embrião da empresa. A iniciativa traz, ainda, um benefício adicional: reduz o uso de drogas, na fase de testes, em animais. “A possibilidade de fazer com que todas as pessoas tenham o potencial de tornarem-se doadoras de células induzidas à pluripotência é algo incrível. Estou empolgado com o fato de poder conhecer, na Alemanha, outras mentes inovadoras”, comentou Diogo, assim que foi anunciado o autor da 2ª melhor ideia da edição 2016 do Falling Walls Lab. Com o prêmio, o empreendedor vai colecionando vitórias e reconhecimento: assim que fundou a Pluricell, venceu o Desafio Brasil, prêmio concedido pela FGV-Eaesp.

O Falling Walls Lab 2016 no Brasil teve um terceiro finalista – embora apenas ao 1º e 2º lugares sejam dadas a oportunidade de representar o Brasil na Europa. Trata-se de Giselle Coelho, que criou um simulador feito de borracha e com textura semelhante à da pele humana, voltado ao treinamento de cirurgias cranianas em crianças.  “O simulador é um projeto que durou cinco anos e tem como objetivo ajudar na formação de médicos. Pode ser submetido à raio X de crânio e tomografia e é possível fazer diagnósticos”, explica Giselle Coelho, que começou a desenvolver a iniciativa quando ainda estava na especialização. À época, ela percebeu que faltavam estratégias de treinamento prático aos profissionais médicos em formação. Giselle, que já conta com outro reconhecimento de peso no currículo – foi a primeira neurocirurgiã brasileira a ser laureada pelo prêmio Jovem Neurocirurgião, da World Federation for Neurosurgical Societies (WFNS), em 2015 – revela que criou duas versões do simulador, uma reproduz um caso de hidrocefalia e outra, um quadro de alteração no formato de crânio, ambos casos frequentes de indicação de cirurgias neurológicas.

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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