sábado , novembro 25 2017
Home / Lifestyle / ‘Plano popular é bom, mas as regras não podem ser alteradas no meio do caminho’, diz executiva da BR Insurance

‘Plano popular é bom, mas as regras não podem ser alteradas no meio do caminho’, diz executiva da BR Insurance

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vem dando sinais que o país está a um passo de autorizar que planos de saúde acessíveis (com mensalidades mais baixas e cobertura reduzida) sejam vendidos no país.  No mês passado, um grupo de trabalho convocado pela ANS elaborou um relatório onde afirma “não haver obstáculos para os principais pontos sugeridos para esses planos”.

Camila Von Muller, diretora de Operações Benefícios da BR Insurance, fala sobre o que o plano precisa para dar certo e dá um panorama sobre o setor.

Camila Von Muller, diretora de Operações Benefícios da BR Insurance
Camila Von Muller, diretora de Operações Benefícios da BR Insurance

CAMILA VON MULLER – O que você acha de o governo cogitar o lançamento de um plano popular para a saúde?

É uma iniciativa importante e imprescindível para o setor. O Sistema Único de Saúde (SUS) não consegue atender toda a população de mais de 200 milhões de brasileiros. Desse total, apenas 45 milhões têm plano de saúde, o restante depende do sistema público, que não consegue suprir as demandas. Precisamos ter opções mais acessíveis para que as pessoas possam ter, pelo menos, o mínimo atendimento necessário para um tratamento.

O que esse plano precisa ter para dar certo?

O conceito de plano popular é bom, mas a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) precisa garantir que as regras não sejam alteradas no meio do caminho. A proposta precisa ser ajustada para que o modelo de cobertura seja, por exemplo, de corresponsabilidade, onde todos os envolvidos se responsabilizem por suas ações – paciente, médico, laboratórios e hospital. Esse é o caminho para o sucesso do plano popular.

Você acha que a proposta que está sendo apresentada é suficiente para atender as necessidades da população?

Ainda não tenho conhecimento de toda a proposta. Mas é necessário que as regras sejam claras e que seja permitido definir um modelo de atendimento e um rol de cobertura que não se altere. A judicialização é um obstáculo a essa proposta.

Por que o governo resolveu tratar deste tema agora?

Na realidade, já passou da hora. O sistema de saúde está doente. A conta não fecha, e quem sai prejudicado é a população. É preciso que todo o eco sistema trabalhe junto e esteja comprometido em mudar e fazer a sua parte para termos uso consciente do sistema de saúde. Todos têm um papel a desempenhar, inclusive os pacientes. Além disso, muitas pessoas deixaram de ter plano de saúde, ou por conta do desemprego, ou porque as empresas tiveram que cancelar o benefício em razão do difícil momento econômico dos últimos anos, e passaram a utilizar o sistema único de saúde, que já não tinha condições de atender a população atual.

Você acha que as seguradoras irão abraçar a ideia e desenhar planos neste modelo?

O conceito é bom, mas acredito que as operadoras serão bem conservadoras. Não vejo uma adesão imediata.

Esse plano popular teria algum limite de atendimento?

Esse plano deve ter um modelo de atendimento diferente. Não é só questão de diminuir rol de cobertura.

A regulamentação desse plano deve seguir as mesmas regras dos planos atuais?

É necessária uma regulamentação específica e atualizada, para que o novo modelo não sofra, por exemplo, com a judicialização, que tem causado grandes custo às operadoras e para que os clientes tenham seus direitos garantidos.

O que encarece os planos de saúde hoje?

Além das pessoas estarem vivendo mais (a idade aumenta o número de doenças crônicas e, consequentemente, o uso/sinistro), a judicialização e a tecnologia são dois itens que geram um grande custo para as operadoras. No primeiro caso, muitas vezes, os juízes dão ganho de causa para um cliente sem ter conhecimento profundo sobre o que estava acordado no contrato entre a operadora e o cliente. Já o avanço da tecnologia tem contribuído para que novas descobertas e procedimentos contribuam para melhores resultados nos tratamentos. No entanto, nem todo tratamento precisa das novas tecnologias, e o uso desnecessário acaba encarecendo os planos de saúde.

O que poderia ser feito para que os planos de saúde tenham reajustes menores?

Hoje, 20% do gasto com saúde é classificado como fraude ou desperdício.  É necessário maior responsabilidade das partes envolvidas. Desde o cliente até a operadora, passando por médicos e laboratórios e a indústria.

Esses polos médicos de atendimento à saúde acessível serão concorrentes do plano popular para a saúde?

Não, são nichos diferentes e há espaço para os dois modelos.

Com o que você viu até agora, já é possível o plano popular entrar em funcionamento?

Acho que o ideal é o plano ser pilotado.

 

Comentários

Sobre Jaqueline Falcão

mm
Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Veja Também

iogurte 3

Você sabe a diferença entre os 6 tipos de iogurte?

Quem gosta de iogurte? A maioria deve responder SIM a esta pergunta.  Os iogurtes fazem …