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Uso correto do antibiótico ainda é desafio no Brasil

comprimidos

O uso correto e racional de antibióticos é um desafio, mesmo com a exigência de receita médica para a venda em farmácias. No Brasil,  as prescrições inapropriadas para infecções que causam dor de garganta, por exemplo, estão entre as principais causas do uso excessivo de antibióticos.  A maioria dos pacientes não está ciente de que o uso generalizado de antibióticos contribui para o aumento da prevalência de bactérias resistentes.

Ao usar um antibiótico de forma inadequada, a pessoa elimina um número considerável de bactérias necessárias para a  imunidade natural do organismo. E pode estimular as mutações que provocam a resistência das bactérias às infecções.

“É a falsa ideia de que o só antibiótico vai curar  a infecção. Ela pode ter origem por protozoário, vírus ou bactérias. Por isso, é preciso diagnóstico médico”, alerta a médica infectologista Flávia Rossi, diretora-médica do Laboratório de Microbiologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, ligado à Universidade de São Paulo.

O assunto foi um dos temas do XX Congresso Brasileiro de Infectologia (Infecto2017), no Rio de Janeiro.

De olho na dose

Há ainda aquela parcela de paciente que, ao sentir melhora dos sintomas da infecção, deixa de usar a medicação prescrita. Isso é um erro, diz a médica. “É super importante seguir a orientação. Existem remédios que podem ser tomados por um tempo menor, mas há  patologias que requerem um tempo maior de antibióticos. Mas só quem pode julgar  isso é o médico”.

Carnes

Os hospitais são os ambientes mais propícios para as bactérias resistentes. No entanto, diz a médica, há situações onde a resistência pode ter como origem algumas carnes por nós consumidas. Isso por conta do uso de alguns antibióticos como melhoradores de crescimento na produção de aves e suínos.

“A bactéria não tem fronteiras. É preciso o uso adequado do antibiótico tanto na área humana quanto na veterinária”, destaca a médica.

Para a infectologista, o primeiro alerta na sociedade deve ser a conscientização. E segundo, diagnóstico e tratamento adequado.

Em infecções mais graves, como em pacientes transplantados, há bactérias resistentes a todas classes de antibióticos disponíveis. “Temos uma notícia boa, com pesquisas e descobertas de novas moléculas, que vão trazer novos medicamentos através da indústria farmacêutica. Uma luz no fim do túnel. Porém, como todo novo remédio, o uso de forma adequada garante que nunca perca a sua efetividade. As antigas drogas são eficazes ainda, mas falta diagnóstico rápido para diferentes infecções”, afirma a médica.

 

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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