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Artigo: Remédios para Osteoporose e os Riscos para Saúde Bucal

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Por Dr. Gregório Sagara da Consultor Científico da SIN Implantes

A osteoporose atinge cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil, segundo
dados da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e
Osteometabolismo – ABRASSO. As principais vítimas (uma a cada três)
são as mulheres, com idade entre 60 e 70 anos.

A osteoporose não é um problema para a odontologia de maneira geral,
porém neste artigo abordarei especificamente os perigos que as
medicações mais usadas para controle de osteoporose e osteopenia podem
gerar nos tratamentos odontológicos. De forma simplificada, a
osteoporose é uma doença de redução do volume, densidade e massa
óssea, que nos acomete quando as células chamadas osteoclastos removem
mais tecido ósseo que os osteoblastos (formadores de osso) conseguem
repor, assim perde-se mais do que é formado, tornando-os mais frágeis.
Não entrarei em detalhes sobre as possíveis causas de osteoporose, mas
abordarei uma das principais formas de tratamento utilizadas pela
medicina na atualidade, que é através de um grupo de medicamentos
chamados BISFOSFONATOS. Você pode reconhecer essas medicações
através de diversos nomes como ALENDRONATO, RISEDRONATO, ÁCIDO
ZOLEDRÔNICO, IBANDRONATO e por muitas vezes eles são relatados aos
dentistas como “vitaminas que são tomadas uma vez por semana, não
podendo comer e nem deitar em até meia hora depois de tomá-la”. O
fato é que essas medicações agem diminuindo as células que removem o
osso, os osteoclastos, sendo eles essenciais para liberação de fatores
de crescimento, remodelação óssea e formação de vasos sanguíneos,
ou seja, são fundamentais para a cicatrização óssea.

E onde entram os riscos? Essas medicações fazem com que os ossos
fiquem sem remodelação, ou seja, sem a capacidade de cicatrizarem-se
de forma eficiente e, na odontologia, inúmeros tratamentos dependem
dessa cicatrização óssea como a extração de um dente, cirurgias de
implantes dentários, enxertos ósseos etc. Pessoas que usam
bisfosfonatos possuem um risco aumentado de sofrerem de uma enfermidade
grave, chamada de “OSTEONECROSE INDUZIDA POR BISFOSFONATOS”,
consistindo na infecção e necrose do osso que é extremamente difícil
de ser tratada – já que a redução na capacidade de cicatrização
óssea diminui a capacidade do organismo em combater a infecção e
regenerar a região.

Com o aumento da prescrição de bisfosfonatos – inclusive para
tratamentos de problemas ósseos mais leves – os problemas
relacionados a eles têm aumentado consideravelmente na última década,
com diversos relatos de osteonecrose em cirurgias de extrações e
implantes dentários. Isso tem preocupado a comunidade odontológica
como um todo.

O procedimento adotado pelo cirurgião dentista é, acima de tudo,
avaliar as condições do paciente, tempo de uso e tipo de bisfosfonato
que é utilizado. Dentro dessa avaliação, o cirurgião dentista
poderá entrar em contato com o médico responsável pela indicação do
tratamento da osteoporose, a fim de planejar a possível interrupção
do mesmo por no mínimo 6 meses. Aliado a isso, realizar acompanhamento
constante, por meio de exames específicos, que deverão ser repetidos
até que se encontre uma condição com menos risco cirúrgico.

É importante salientar que essa medicação se mantém em tecido ósseo
por até 8 anos após a interrupção e, dependendo da quantidade e do
tipo de medicamento tomado, os riscos para o surgimento de um problema
poderão levar uma década ou mais para serem eliminados. Sendo assim,
em casos de extrações de urgência nos quais a interrupção prévia
do medicamento não pode ser realizada, o risco do surgimento de
osteonecrose no paciente pode aumentar seriamente.

O cirurgião pode empregar medidas preventivas a fim de diminuir esse
risco. Em relação ao sucesso cirúrgico na implantodontia, é
importante que o paciente tenha controle da própria saúde como um
todo, pois, fatores como diabetes sem controle, problemas gengivais
presentes, deficiência de vitamina D e outros, também podem contribuir
para a perda precoce dos implantes. A higienização oral completa,
realizada de forma criteriosa com escovação e fio dental, além de
visitas periódicas ao dentista, diminui o risco de problemas orais de
forma significativa – sendo a melhor maneira de reduzir a necessidade de
tratamentos invasivos odontológicos.

Vale lembrar que, durante as consultas odontológicas, é extremamente
importante não ocultar o uso de nenhuma medicação, mesmo que você as
veja apenas como suplementações alimentares ou vitaminas, como é o
caso dos bisfosfonatos.

* Doutor Gregório T. P. Sagara é Consultor Científico da SIN
Implantes, graduado em Odontologia pela FOP-UNICAMP, possui residência
em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pelo Complexo Hospitalar
Padre Bento de Guarulhos.

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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