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H1N1: faltam remédio nas farmácias e vacina nas clínicas

O aumento no número de casos de influenza A/H1N1 em São Paulo, antes mesmo da chegada do inverno, preocupa doentes e até mesmo quem não é paciente. O motivo: falta o medicamento oseltamivir (Tamiflu), único para tratar a doença. Para quem quer se proteger, também está difícil encontrar vacinas. Quando encontrada, é em quantidade menor que a procura, o que causa filas, pagamento antecipado como garantia de reserva e uma verdadeira corrida às clínicas. Os preços da dose variam de R$ 110 a R$ 140. No Colégio Santa Maria, na zona sul de São Paulo, a contaminação de pelo menos seis estudantes do terceiro ano assusta mães. Só no estado de São Paulo, neste ano, até 22 de março, foram notificados 324 casos e 42 mortes, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde.

O blog procurou o medicamento Tamiflu em farmácias de rede e em pequenas drogarias na capital paulista nesta quarta-feira e não encontrou. Como não há previsão, não é possível fazer encomendas.

Uma farmacêutica, que trabalha em uma drogaria na zona oeste, informou que os distribuidores não têm o Tamiflu em estoque. – O Tamiflu já está em falta há mais ou menos 20 dias. Na drogaria onde eu trabalho as cinco distribuidoras estão sem o medicamento para revenda. A procura aumentou cerca de 40% – conta Roseane Magnaboschi.

Alguns postos de saúde ainda dispõem do medicamento. Mas atenção: a receita só vale se estiver escrito oseltamivir. Tem que procurar!

A Roche, fabricante do Tamiflu, informa que, desde a segunda quinzena de março, observa um aumento excepcional no mercado privado,” e não previsto para esta época do ano, na demanda por Tamiflu (fosfato de oseltamivir). Os estoques relativos especificamente à apresentação de 75mg esgotaram-se rapidamente.”

tamiflu

 

 

 

A Roche informou ainda que mantém estoque das apresentações de Tamiflu  cápsulas 30mg e 45mg, “que são parte de um plano de distribuição que visa atender as solicitações de farmácias, drogarias, hospitais e distribuidores em geral. Novos lotes de Tamiflu .chegarão em abril, mês em que a Roche receberá os produtos especificamente para atender ao potencial enfrentamento da gripe no inverno”.

No Colégio Santa Maria, zona sul de São Paulo, um número de casos confirmados de H1N1 em uma das turmas gera pânico entre os pais. Os casos são da primeira quinzena de março. Mas as mães tiveram conhecimento nesta semana.  Os pais falam em 11 crianças infectadas e reclamam que a escola não comunicou a todos, exceto a sala em questão.

– As crianças brincam juntas no recreio. Eu fui atrás de informação correta, mas a gente entra em pânico. Se a escola tivesse informado antes, poderíamos ter tomado medidas preventivas. Dez crianças numa sala de 35 alunos com H1N1 é um surto. Eu soube pela imprensa. A escola não mandou circular ou email. Só deram para as mães da sala dos alunos que ficaram com H1N1 – queixa-se uma mãe de aluno, que pediu para não ter sua identidade revelada.

O Colégio, por meio da assessoria de imprensa, confirmou que houve seis casos de H1N1 em uma classe. E que as aulas não foram suspensas porque, segundo a Secretaria de Saúde, não haveria necessidade.  Os alunos com sintomas da gripe e que apresentaram laudo foram afastadas da escola

Vacinas

Enquanto pacientes com máscaras lotam pronto-socorros em busca de atendimento, com espera que chegam a quatro horas,  nas ruas, a corrida é por vacinas de proteção à gripe. A procura aumentou em torno de 80% em boa parte de clínicas particulares. Ontem, havia fila do lado de fora em uma unidade no Itaim Bibi, zona sul da capital paulista. Na Granja Viana, região de Cotia, uma clínica cobrava R$ 140 e só tinha seis doses em estoque nesta quarta-feira, dia 30 de março. Para conseguir vacinar uma criança, na maioria das vezes, é preciso agendar com antecedência. Há esperas que chegam até o dia 12 de abril.

Na rede pública, a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo decidiu antecipar a vacinação contra gripe deste ano para cerca de 3,5 milhões de paulistas.  As doses, que já vão proteger a população contra os vírus do inverno de 2016 (A/California (H1N1), A/Hong Kong (H3N2) e B/Brisbane), começam a ser distribuídas no início da próxima semana.

Inicialmente, receberão a vacina 532,4 mil profissionais de saúde de hospitais públicos e privados da capital e região metropolitana da grande São Paulo. Até 8 de abril, sexta-feira, todos os hospitais desses municípios receberão as doses para a realização de campanhas internas.

Já a partir do dia 11 de abril, a vacinação será ampliada para as crianças maiores de seis meses e menores de cinco anos (982,8 mil), para as gestantes (179 mil) e aos idosos (1,83 milhão) da capital e grande São Paulo, totalizando quase 3 milhões pessoas imunizadas.

Neste ano, até 22 de março, foram notificados 324 casos e 42 óbitos por SRAG no Estado de São Paulo atribuíveis ao vírus Influenza. Desse total, 260 casos e 38 óbitos foram relacionados ao vírus A (H1N1). Em 2015, foram 342 notificados em todo o estado. 

 H1N1, variação de gripe comum

Regia Damous, infectologista do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, explica que o H1N1 é uma variação da gripe comum. O vírus da gripe é muito suscetível a sofrer mutações, e ao longo dos anos o ser humano vai  adquirindo essas “variações” da gripe. No caso do H1N1, estima-se que ele tenha surgido em 2009 e sua transmissão aconteceu primeiro em  suínos, popularizando a doença como “gripe suína”.

Os sintomas são os mesmos de uma gripe comum: febre alta e tosse, podendo apresentar dores de cabeça e corpo, garganta inflamada, cansaço, diarreia e vômito. A doença também pode evoluir para uma situação mais grave de pneumonia viral.

Segundo o infectologista, o H1N1 tende a ser mais agressivo do que a gripe comum porque quando o vírus da gripe sofre mutações, ele mantém algumas proteínas que formam a sua estrutura. “O corpo, quando já tem imunidade para o vírus anterior, já está, então, mais preparado para combater essa nova variação, pois consegue reconhecer a parte da estrutura viral que ficou. Porém, alguns tipos epidêmicos se rearranjam em proteínas que as pessoas não têm resistências, tornando algumas mutações mais desconhecidas ao nosso sistema imunológico. Esse é o caso do H1N1: o sistema imunológico das pessoas tem proteção baixa para essa vertente da gripe comum”.

 

 

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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