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‘A gente não pode ficar sentada chorando. Tem que vencer a dor’, conta paciente com artrite reumatoide

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SÃO PAULO – Do dia em que acordou dolorida até o diagnóstico correto da artrite reumatoide foram quatro anos e muitas lágrimas. O que aconteceu com a aposentada Ivone Ferreira Moreira, de 66 anos, é mais comum do que se imagina. No Brasil, estima-se que a enfermidade atinge cerca de 2 milhões de pessoas, especialmente mulheres.  E muitos pacientes levam até dois anos para descobrir a doença, que é crônica, inflamatória e progressiva. Uma pesquisa sobre a enfermidade conduzida pelo Instituto Ipsos, realizada pela farmacêutica Pfizer, mostrou que 25% dos brasileiros levaram no mínimo dois anos até a identificação da doença.

“Lembro que deitei bem numa noite de sábado e acordei toda dolorida. Fui num ortopedista, tomei um remédio e a dor, naquele momento passou. Mas depois eram dores dia e noite. Eu me sentia no fim da linha. Foram vários remédios e consultas com muitos médicos. Foi uma luta muito grande e até descobrir passaram-se quatro anos”, relembra Ivone.

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A artrite reumatoide afeta as articulações e pode causar rigidez, deformidade articular, desgaste ósseo e incapacidades para o dia a dia, como cortar um pedaço de carne, tomar banho e vestir uma roupa. Se um indivíduo apresentar dores contínuas nas articulações é hora de procurar um profissional. O diagnóstico é clínico, mas existem alguns exames de laboratório que dão suporte para detectar a doença, como de sangue e imagem: radiografias e ultrassom.

Os sintomas iniciais geralmente estão relacionados ao inchaço das articulações das mãos e punhos. O paciente costuma apresentar outras queixas importantes: dores generalizadas, cansaço, indisposição e rigidez matinal; inchaços e aumento de partes moles; nódulos reumatoides – localizados debaixo da pele, principalmente em áreas de apoio. Como esses sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças, é fundamental que o paciente procure um médico reumatologista para conduzir ao diagnóstico e tratamento corretos.

O diagnóstico precoce na fase inicial e o imediato tratamento adequado são fatores determinantes. O papel do reumatologista na avaliação e no tratamento dos pacientes com artrite reumatoide é essencial, já que esse profissional é o mais familiarizado com a identificação da doença e com os medicamentos atualmente disponíveis.

“Não há cura para condição, que é crônica e pode durar vários anos ou a vida inteira. Mas, atualmente existem medicamentos que podem desacelerar sua progressão, melhorar a dor e a qualidade de vida das pessoas”, explica Levi Jales Neto, médico reumatologista do Centro de Terapia Infusional de Reumatologia da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

“Minha vida mudou quando entrei em um estudo com pacientes. A gente não pode ficar sentada e chorando. Não vai resolver nem passar a dor. A dor leva à tristeza e a pessoa vai para a cama. E aí vem a depressão e vai para o buraco. Eu olhava a cama e dizia ‘vou para a rua”, relembra.

E na rua, Ivone caminhava. Ali encontrava o alento. Quando cansava, sentava em um ponto de ônibus. “Por muitas noites chorei, mas graças a Deus passou. Nada é para sempre. Tem que vencer a doença”, aconselha a aposentada, que hoje faz tricô e artesanato, sem sequelas. Ivone faz tratamento com o medicamento Xeljanz (citrato de tofacitinibe), que age dentro das células, inibindo a janus quinase, uma proteína importante nos processos inflamatórios característicos da doença.

“Faço ginástica e danço. É outra vida. Se você sentir dores, procure um reumatologista”, diz Ivone.  E tem outros tratamentos em fase de estudos e que daqui alguns anos podem surgir mais opções para beneficiar pacientes.

 

 

Infográfico – crédito: Freepik

Sobre a série: Toda semana, uma história de um paciente que segue firme em tratamento e não deixa a doença vencer!

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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