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Cai número de doadores e de transplantes no país

Pela primeira vez desde 2007, o Brasil apresenta uma diminuição na taxa de doadores efetivos e na taxa de potenciais doadores, além de redução no número de transplantes de rim, fígado e pâncreas, em comparação ao ano anterior. Os dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), realizados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), registraram que 44% das famílias abordadas pelas equipes dos hospitais não autorizaram a doação no primeiro semestre de 2015.

Segundo a patologista e diretora da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Luciana Salomé, esse cenário precisa ser combatido com mais informação a respeito do processo de doação, assim como sobre a importância desse gesto. “Datas como o Dia Nacional da Doação de Órgãos, comemorado em 27 de setembro, servem como um marco chamar a atenção da população para o procedimento. Esse tipo de conhecimento é fundamental para a criação de uma cultura de doação mais consolidada”, diz.

Segundo números do RBT, no momento há cerca de 32 mil brasileiros na fila de espera para transplantes de órgãos, sendo 19.249 para rim, 10.386 para córnea, 1.448 para fígado, 235 para coração, 201 para pulmão e 20 para pâncreas.

Momento delicado

De acordo com Luciana, um dos cenários em que é possível obter órgãos com alto potencial e viabilidade para o transplante é no caso de morte encefálica. Isso ocorre porque os órgãos continuam em funcionamento e muito mais viáveis do que em casos como infecções ou outras doenças que prejudicam sua estrutura.

Ainda assim, é comum que, em casos de morte encefálica, os parentes tenham restrições em permitir a doação. “Medo e resistência em autorizar a doação de órgãos ou se declarar doador têm como causa principal a desinformação. É preciso entender que a retirada de órgãos não desrespeita o doador – os critérios para declarar o óbito são extremamente rigorosos e confiáveis”, afirma a médica.

Decisão soberana

Segundo a diretora da SBP, é muito importante que toda pessoa que deseja doar órgãos converse abertamente com seus familiares e exponha essa opinião, deixando claras suas razões e pedindo que essa vontade seja respeitada. Isso é vital, uma vez que a decisão final será tomada por eles.

“Na legislação brasileira, não existem mecanismos que garantam a vontade do falecido, por mais que ele tenha deixado sua intenção expressa em qualquer meio, até mesmo registrada em cartório. Quem dá a palavra final são os familiares, por isso uma conversa franca é a melhor ferramenta para um doador garantir que seus órgãos possam salvar vidas”, diz.

Viabilidade e acompanhamento

A médica explica que um órgão se torna inviável para transplante em casos de parada cardíaca do doador, antecedente de alguns tipos de câncer, determinados tipos de infecção e tempo em isquemia fria (sem circulação sanguínea). Essas condições fazem o tecido do órgão deteriorar-se e sua função ser prejudicada. A biópsia, junto com outros exames, fornece as informações sobre a extensão do acometimento do órgão.

“Mais para frente, após um transplante, o seguimento com biópsias é muitas vezes necessário. Esse exame, analisado por um patologista, consegue avaliar o bom funcionamento do órgão transplantado e a boa preservação tecidual pela vascularização adequada, além da presença ou ausência de alterações sugestivas de rejeição do transplante”, finaliza Luciana.

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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