sábado , julho 22 2017
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Descaso contribui para o avanço do HIV entre os jovens

por  Maria Lúcia Neves Biancalana*

Há pouco mais de uma semana, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) divulgou um novo relatório, mostrando que o número de pessoas com acesso ao tratamento dobrou nos últimos cinco anos, passando de 18 milhões (junho/2016), entre elas 910 mil crianças.

Com acesso mais amplo ao tratamento e a maior eficácia dos antirretrovirais, a expectativa de vida dos portadores do vírus também aumentou. Até o ano passado, havia quase seis milhões de pessoas acima de 50 anos vivendo com o HIV.

Além disso, o tratamento precoce dos pacientes soropositivos reduziu drasticamente a ocorrência das infecções oportunistas. Hoje, as complicações que as pessoas que convivem com o vírus estão sujeitas estão ligadas ao processo de envelhecimento, como o risco cardiovascular e os distúrbios metabólicos decorrentes do sedentarismo e de hábitos de vida pouco saudáveis.

O Brasil foi um dos pioneiros no fornecimento gratuito do tratamento aos portadores do vírus HIV e, atualmente, entre os países considerados de baixa e média renda pela classificação da Unaids, é o que registra uma das maiores taxas de coberturas de tratamento: 64% dos brasileiros que vivem com o vírus recebem o tratamento antirretroviral (TARV) via Sistema Único de Saúde (SUS).

Apesar das boas notícias, continuamos preocupados com o avanço da infecção em nosso País, especialmente entre a população mais jovem, na faixa dos 13 aos 19 anos, entre a qual parece haver certo descaso em relação à doença.

No dia a dia do consultório percebe-se que ainda há pessoas que praticam sexo sem o uso do preservativo, acreditando que não correm risco. Esse tipo de comportamento contribui para que o número de novos casos de infecção pelo vírus HIV no Brasil continue a crescer. Segundo estimativas recentes do Unaids, o País responde por 40% das novas infecções por HIV na América Latina.

Entre a população feminina a situação é ainda mais grave. As meninas estão iniciando a vida sexual mais cedo e sem o uso de preservativo, o que as expõe ao risco de infecção pelo HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, as taxas de testagem para o vírus e de adesão ao tratamento nessa faixa etária ainda são baixas.

Portanto, temos sim que comemorar os avanços no combate à Aids.  Porém, não podemos mais fechar os olhos para tudo o que ainda precisa ser feito em termos de campanhas informativas e de conscientização sobre o risco que o HIV ainda oferece, principalmente para os adolescentes e adultos jovens.

 

*Maria Lúcia Neves Biancalana é médica infectologista, gerente médica da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar da Beneficência Portuguesa de São Paulo e membro do corpo clínico do Hospital São José, unidade hospitalar da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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