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Esclerose Múltipla: conheça os mitos e as verdades sobre a doença

A Esclerose Múltipla (EM) atinge cerca de 2 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Federação Internacional da EM. A doença é do tipo autoimune, crônica, responsável por comprometer o sistema nervoso central e prejudicar a neurotransmissão, provocando dificuldades motoras e sensitivas que impactam diretamente na qualidade de vida dos pacientes. “Embora sua causa ainda seja desconhecida, os mecanismos da EM vêm sendo estudados e identificados no mundo todo, o que possibilita uma melhora na indicação do tratamento e consequentemente na vida das pessoas afetadas”, afirma  médica Soniza Alves-Leon, professora de neurologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e chefe do centro de referência em Esclerose Múltipla do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ.

Veja abaixo alguns mitos e verdades sobre o assunto: 

  1. A EM é uma doença mental e suscetível de prevenção.

 MITO. Por ser uma doença neurológica que pode comprometer a dicção e cognição, além de alterações motoras, há uma percepção equivocada em relação ao problema, que não pode ser considerado uma doença mental. Trata-se de uma doença desencadeada pelo sistema imunológico da pessoa acometida.

Devido ao desconhecimento sobre as causas da doença, não é possível, até o momento, falar em prevenção. O melhor a fazer é buscar o máximo de informações possível para lidar e tratar a enfermidade.

 

  1. Pode ser silenciosa e se manifestar de diferentes formas ao longo do tempo, tornando difícil o diagnóstico.

 VERDADE. As lesões no cérebro e na medula espinhal causadas pela doença podem ocasionar diferentes sintomas, que podem se apresentar de forma sutil e transitória, e que vão desde visão dupla ou embaçada, fadiga, formigamentos, perda de força e falta de equilíbrio, até incontinência urinária, ocorrendo de forma isolada ou em conjunto. A diversidade e intensidade de sintomas podem levar os pacientes a buscar ajuda de diferentes especialistas e usar diversos tratamentos até chegar ao correto diagnóstico, em geral feito por um neurologista.

 

  1. Tem relação direta com a idade avançada.

 MITO. Apesar de muitas pessoas associarem esta patologia a idade avançada, os pacientes têm, em média, 30 anos quando recebem o diagnóstico da doença, sendo que o principal grupo de risco são mulheres jovens, segundo dados do Atlas da Esclerose Múltipla 2013, da Federação Internacional de Esclerose Múltipla. A doença também pode acometer homens, crianças e, eventualmente, pessoas acima dos 50 anos.

 

  1. A esclerose múltipla é uma doença fatal em todos os casos.

 MITO. Apesar de ser crônica e autoimune, que atinge o sistema nervoso central, a enfermidade não é considerada fatal. “A maioria das mortes associadas à EM são devido a complicações em estágios avançados e progressivos da doença. Por isso o tratamento precoce é de extrema importância, pois pode contribuir na desaceleração da progressão da doença, além de ajudar a prevenir complicações”, completa a neurologista.

 

  1. Tem tratamento, mas não é curável.

 VERDADE. Embora não haja cura para a esclerose múltipla, existem tratamentos disponíveis que atenuam os efeitos e podem impactar a progressão da doença. O uso de imunomoduladores, como os interferons beta 1-b, beta 1-a e acetato de glatiramer diminuem a frequência dos surtos, agindo sobre os mecanismos imunológicos e minimizando a atividade inflamatória. O estudo BENEFIT, acompanhado ao longo de 11 anos pelos Comitês Americano e Europeu para Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla em Boston, Massachusetts, revela que o tratamento precoce com betainterferona-1b diminui os efeitos das complicações motoras e sensitivas dos portadores em estágio inicial.

De acordo com a ABEM, transtornos emocionais podem ser indicativos da doença, ou seja, em alguns casos, os pacientes se tornam depressivos ou sofrem de excesso de ansiedade. Dessa forma, o tratamento muitas vezes é combinado com antidepressivos. Além disso, uma forma de complementação do tratamento com medicamentos é a realização de fisioterapia, para alongamento e fortalecimento muscular, que pode tornar atividades diárias mais fáceis de se praticar e menos cansativas para os pacientes. A Esclerose Múltipla deve ser tratada de forma multidisciplinar.

Curiosidade: Entre as opções de tratamento adjuvante, está o Cognifit®, uma ferramenta inteligente utilizada para minimizar alguns dos sintomas da esclerose múltipla e que pode ser acessado via computador, tablet ou smartphone. O mecanismo tem como função principal treinar e estimular os aspectos cognitivos, com jogos que permitem avaliar o estágio do comprometimento da doença e as habilidades cognitivas. O dispositivo, que auxilia no desenvolvimento de atividades cognitivas, funciona como aliado na melhora da qualidade de vida dos pacientes.

 

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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