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Nova esperança para crianças com paralisia cerebral

A paralisia cerebral é uma lesão que acontece, em geral, quando falta oxigênio no cérebro do bebê durante a gestação, no parto ou até dois anos após o nascimento – neste caso, pode ser provocada por traumatismos, envenenamentos ou doenças graves, como sarampo ou meningite.

Dependendo do local do cérebro onde ocorre a lesão e do número de células atingidas, a paralisia danifica o funcionamento de diferentes partes do corpo. A principal característica é a espasticidade, um desequilíbrio na contração muscular que causa tensão e inclui dificuldades de força e equilíbrio.

Em outras palavras, a lesão provoca alterações no tônus muscular e o comprometimento da coordenação motora, que podem ser melhorados através da fisioterapia.

O método CME, da sigla Cuevas Medek Exercises, foi desenvolvido pelo chileno Ramón Cuevas. Segundo a fisioterapeuta Regiane Krakauer Kuhn, especialista no método, o CME difere dos métodos tradicionais de fisioterapia por diversos fatores. Entre eles, o choro e a vontade da criança não são impeditivos para a realização dos exercícios. “O que queremos é a resposta automática do corpo contra a gravidade.”

A prática causa estranheza no primeiro momento, pois grande parte dos exercícios é aérea. Mas impressiona ver crianças com desenvolvimento motor atrasado se equilibrar em tábuas de madeira ou fazer poses de bailarina. Outro diferencial é o estímulo para que os pais façam os exercícios em casa com a criança. “A participação da família é essencial para se alcançar os resultados”, destaca Regiane.

O princípio fundamental é baseado no fato de que as crianças que possuem comprometimento no desenvolvimento precisam reforçar o potencial de recuperação natural. “Em casos de encefalopatia crônica, cerca de 80% do cérebro não se lesiona, mas ele fica imaturo e precisa ter a capacidade de regeneração estimulada”, explica a fisioterapeuta Regiane Krakauer Kuhn.

Outra esperança para as crianças portadoras de paralisia cerebral,  com comprometimento motor, é a  Rizotomia Dorsal Seletiva, um procedimento feito pelo Dr. TS Park, um dos maiores neurocirurgiões dos Estados Unidos.

A Rizotomia Dorsal é um procedimento cirúrgico realizado nas raízes nervosas sensoriais que saem da medula, com a finalidade de diminuir a espasticidade dos membros inferiores.  Pela complexidade, ela é indicada para pacientes com alto grau de rigidez nas pernas, sem prognóstico de marcha.

Clique no vídeo para ver  a menina Isabella, atendida por Regiane Krakauer Kuhn com alguns  dos exercícios aéreos propostos pelo método CME:

Entretanto, as crianças operadas pelo  Dr. TS Park  muitas  vezes já andam, mas com dificuldades, como ponta dos pés, com apoios ou são cadeirantes com bom prognostico de marcha. Por isso esta  cirurgia denomina-se  Rizotomia Dorsal Seletiva.

Uma das pacientes de Regiane foi submetida ao tratamento em julho de 2015.  Apenas dois meses após a cirurgia, os ganhos foram, entre outros, início da movimentação dos joelhos, dos dedos dos pés e flexão nos joelhos.

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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