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Novo tratamento para forma grave de hipertensão pulmonar chega ao Brasil

Doença rara e de difícil diagnóstico, a hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (HPTEC) interfere diretamente na qualidade de vida do paciente, que sofre com falta de ar constante e fadiga durante a realização de atividades simples, como subir escadas, pentear o cabelo, escovar os dentes. Uma pesquisa recente aponta que a doença é desconhecida por 76% dos brasileiros. A boa notícia é que um novo tratamento acaba de chegar ao Brasil: Adempas (riociguate).É o único para este tipo de hipertensão pulmonar.

O remédio faz parte de uma classe de medicamentos denominados estimuladores da guanilato solúvel, que ajudam a relaxar as artérias para aumentar o fluxo sanguíneo e diminuir a pressão arterial.. Na ação, o medicamento retarda a progressão da doença, melhora as funções cardíacas e pulmonar.

“Nosso objetivo é cuidar da saúde e contribuir para que os pacientes tenham menos impacto e consigam conquistar uma melhora na qualidade de vida. É possível prevenir complicações mais graves – explica Sandra Abrahão, diretora médica da Bayer.
A pesquisa sobre a doença foi realizada pela ABRAF (Associação Brasileira de Amigos e Familiares de Portadores de Hipertensão Pulmonar) em parceria com a Bayer, em sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Recife), com 2.100 pessoas.

A HPTEC é uma das causas de hipertensão pulmonar (HP), distúrbio que acomete os pulmões e o coração, em que a pressão do sangue nas artérias pulmonares torna-se acima do normal, sobrecarregando o coração, podendo levar à insuficiência cardíaca e até mesmo à morte. Grave e progressiva, ocorre formação de coágulos sanguíneos nas artérias do pulmão que, com o passar do tempo, fibrosam.
A pesquisa indicou que 1 em cada 4 entrevistados não faz ideia de como tratar a HPTEC e, em caso de suspeita, menos da metade (47%) procuraria um pneumologista, já 21% não sabe qual especialista buscar.

O principal tratamento para a HPTEC é a cirurgia. No entanto, 40% dos pacientes é inoperável e, até 35% deles apresenta hipertensão pulmonar persistente ou recorrente após cirurgia. A utilização de medicamentos, apontada por 43% dos entrevistados como a melhor opção de tratamento, é a terapia indicada nesses casos onde o procedimento cirúrgico é contraindicado ou não resolve o problema.
CAUSA INDEFINIDA
Gisela Martina Bohns Meyer, Coordenadora do Serviço de Hipertensão Pulmonar da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, o principal desafio em torno da doença é o diagnóstico precoce, pois muitas vezes os sintomas são confundidos com outros problemas. Assim, muitos casos passam despercebidos e são subdiagnosticados ou recebem diagnóstico tarde, postergando o início do tratamento. Quanto mais tardia a detecção, mais avançada estará a doença e, portanto, mais difícil de responder ao tratamento de forma adequada.

– Muitos pacientes, infelizmente, chegavam no hospital em fase terminal da doença. Hoje, temos pacientes que fazem este tratamento, que conseguem desempenhar suas tarefas do dia a dia e até caminhar – diz Gisela.
As causas são indefinidas de uma maneira geral, no entanto, alguns casos exigem mais atenção, como: histórico familiar, uso de drogas, doença cardíaca congênita, patologias reumáticas autoimunes, anemia falciforme, infecções por HIV, doença do tecido conjuntivo e esquistossomose (infecção por parasita).

A pesquisa mostrou ainda o desconhecimento acerca das implicações da doença. Cerca de 25% dos entrevistados não sabem dizer quais as possíveis consequências da doença. Entre as principais complicações causadas pela doença estão a insuficiências cardíaca e respiratória, arritmias e sangramento dos pulmões.

Mariana Oliveira, paciente, conta que sente falta de ar ao pentear o cabelo, mas é otimista em relação a perspectivas de novos medicamentos para a doença.

Segundo Caio Julio Cesar dos Santos Fernandes, pneumologista do Grupo de Circulação Pulmonar do INCOR-Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, os exames para a descoberta da doença são ecocardiograma, eletrocardiograma, teste ergométrico, cintilografia V/Q scan e outros testes.

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Sobre Jaqueline Falcão

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Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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