domingo , setembro 24 2017
Home / Tratamentos / Técnica combinada de transplante capilar resolve calvície em uma única cirurgia

Técnica combinada de transplante capilar resolve calvície em uma única cirurgia

O especialista em transplante capilar, Dr. Márcio Crisóstomo
O especialista em transplante capilar, Dr. Márcio Crisóstomo

FORTALEZA (CE) –  Eternizada na popular marchinha carnavalesca Nós, os carecas, o refrão “é dos carecas que elas gostam mais”,  na visão dos homens, seria hoje cantado de outra maneira.  Isso porque a calvície, embora muitos não admitam, incomoda, sim. Eles não querem ficar carecas. E se você, que sofre de calvície, já ouviu de algum médico a “sentença”  “seu caso não tem jeito, compre uma peruca”, temos uma boa notícia: uma técnica de transplante capilar criada pelo cirurgião plástico Márcio Crisóstomo.

O médico especialista une dois métodos em um para tratar calvície. E consegue aumentar o número de fios obtidos  e uma cobertura de uma área maior em uma única cirurgia. A técnica une o FUE (sigla em inglês para extração da unidade folicular), onde são retirados os bulbos capilares um a um de uma área que será doadora, com a Strip – onde são cortadas faixas do couro cabeludo e selecionados, no microscópio, os bulbos que serão reimplantados na região da calvície.

Os resultados satisfatórios desta combinação de técnicas ganhou destaque internacional e tem levado muitos carecas para Fortaleza, onde está a clínica do médico.

“Calvície incomoda a todos, mulheres, jovens, homens meia-idade e o mais idosos. A falta do cabelo tem uma relação com o poder. Sansão perdeu o poder quando Dalila cortou o cabelo dele. Isso tem um simbolismo muito forte. A sensação de envelhecimento com a perda de cabelo é muito grande”, diz Crisóstomo.

Nas consultas, o que o médico costuma ouvir dos pacientes são as frases “eu não me pareço com a idade que eu tenho”, “eu me sinto mais velho”, “eu olho no espelho e não me reconheço”.

Página da Saúde acompanhou, no início do mês, uma cirurgia de transplante capilar. Foram 10 horas de centro cirúrgico. Muito mais que a combinação de técnicas, Márcio Crisóstomo põe em prática também uma habilidade como a de um artista plástico fazendo uma delicada obra, tem o cuidado de cobrir, fio a fio, o maior número de áreas possíveis na cabeça, pensando o quanto aquilo significa para a autoestima do seu paciente. É bem minucioso.

A cirurgia é feita com sedação e anestesia local.O paciente passa a noite no hospital e tem alta na manhã seguinte. Os dois pacientes ouvidos disseram que o pós-operatório foi muito tranquilo, sem dores.

De onde veio a técnica? Insatisfeito com os limites nos resultados que o uso de só um dos procedimentos oferecia, Crisóstomos começou a somar pequenas quantidades de FUE, acrescentando fios ao final do transplante feito com a técnica clássica.

“Faltava cabelo aqui e ali, então ia acrescentando fios. Em 2008, padronizamos as duas técnicas de forma segura. Isso mudou o paradigma. Casos tratados com duas ou três cirurgias para obter um bom resultado, agora são tratados com uma só. Também quando a cirurgia era contraindicada pela desproporção da área calva com a área doadora, nós passamos a indicar a cirurgia. O paciente que escutava ‘seu caso não tem jeito, tem que usar uma peruca’, passou a ter uma opção”, explica o médico, que completa. “Este tipo de procedimento dá uma satisfação especial porque muitos pacientes estavam sem esperança”.

“Doutor, estou 10 anos mais novo”

Os fios começam a nascer depois de três meses, de acordo com Crisóstomo.

“Os pacientes ficam um pouco ansiosos, mas a gente educa antes da cirurgia para saber o que esperar. O cabelo não nasce ao mesmo tempo e cresce 1 cm por mês”.

Este procedimento é uma tendência, acredita Márcio Crisóstomo. “As técnicas combinadas sempre apresentam melhores resultados do que algo isolado. As associações foram trazendo benefícios para os pacientes, não só em transplante capilar como em outras especialidades, como dermatologia e cirurgia plástica”, diz.

Quando o cabelo, enfim, cresce, além da mudança na expressão do rosto ser visível nas fotos de antes e depois, as frases também são outras no consultório. “Doutor, estou 10 anos mais novo”, “perguntaram o que eu fiz para ficar diferente”. Mas nada melhor que ouvir um paciente. Aos 55 anos, o médico Murilo (vamos preservar sua identidade), começou a perder cabelo quando tinha 38. “Incomodava muito. Queria parecer mais jovem. Pesquisei bastante até decidir. Estou muito satisfeito. Não senti dor. Menos de 24 horas, eu me sinto realizado. Imagina quando o cabelo começar a nascer”, conta.

Discípulo de Ivo Pitanguy (1923-2016), Crisóstomo segue um dos ensinamentos do mestre, transmitidos durante sua especialização, no Rio de Janeiro. “O professor Pitanguy  dizia que sempre se pode fazer algo para o paciente. Nunca devemos dizer que não tem nada a se fazer. E eu concordo”.

Comentários

Sobre Jaqueline Falcão

mm
Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Veja Também

smartphone

Nova cirurgia livra idosos de óculos para catarata, astigmatismo e vista cansada

FORTALEZA (CE) – Se o seu conceito de um idoso depois de uma cirurgia de …