Como é a vida após transplante
Apresentador Fausto Silva, que passou por transplante de fígado e retransplante de rim, teve alta; médico explica sobre recuperação

O apresentador Fausto Silva recebeu alta do Einstein Hospital Israelita nesta quinta-feira, 28. De acordo com boletim médico do hospital, ele seguirá os cuidados em casa, com uso de imunossupressores - comum em pacientes transplantados. Fausto Silva, o Faustão, estava internado desde maio. Passou por um transplante de fígado e um retransplante de rim.
O novo transplante de Faustão foi o de fígado, órgão responsável por mais de 500 funções vitais no corpo humano.
"O transplante de fígado é uma das cirurgias mais complexas da medicina, mas também uma das mais gratificantes", explica o Dr. Lucas Nacif, médico transplantador e cirurgião gastrointestinal. "Diferentemente de outros órgãos, o fígado tem uma capacidade única de regeneração, o que torna a recuperação particularmente interessante de acompanhar."
Logo após o procedimento, que pode se estender por várias horas, o novo órgão inicia um processo de adaptação ao organismo. Na maioria das vezes, o fígado transplantado entra em atividade rapidamente, produzindo bile e metabolizando toxinas. Há situações, porém, em que a retomada plena das funções é mais lenta, exigindo acompanhamento médico intensivo.
Como o corpo reage ao novo órgão
O sistema de defesa do corpo não reconhece o novo fígado como “seu” e tenta rejeitá-lo. Para evitar que isso aconteça, entra em cena uma das mudanças mais significativas na vida do paciente: o uso contínuo de medicamentos imunossupressores.
“É uma espécie de negociação constante com o sistema imunológico”, compara o Dr. Nacif., que também é membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD). “Precisamos reduzir as defesas do organismo o suficiente para que ele aceite o novo órgão, mas sem deixá-lo vulnerável demais a infecções e outras complicações.”
O tratamento deve ser mantido por toda a vida, seguindo horários e doses com rigor absoluto, qualquer descuido pode levar à rejeição aguda ou crônica do enxerto. Entre os possíveis efeitos colaterais estão maior predisposição a infecções, alterações na função renal, hipertensão e, em alguns casos, aumento do risco de certos tipos de câncer. “Por isso, o acompanhamento médico periódico é indispensável”, complementa o especialista.
A adaptação metabólica do organismo
Com o fígado transplantado em pleno funcionamento, o organismo passa por uma verdadeira revolução metabólica. O novo órgão assume de imediato suas múltiplas funções: processa proteínas, produz bile para a digestão de gorduras, filtra toxinas do sangue, regula os níveis de glicose e sintetiza fatores de coagulação.
Nos primeiros meses, exames laboratoriais frequentes monitoram a adaptação do fígado, e é comum observar uma melhora progressiva nos níveis de bilirrubina, enzimas hepáticas e outros marcadores de saúde. Segundo o Dr. Lucas Nacif, um aspecto notável é a capacidade regenerativa do órgão transplantado: “Mesmo quando apenas parte do fígado é transplantado, como nos casos de doador vivo, ele cresce e se adapta às necessidades do receptor.”
A recuperação até retomar atividades normais leva, em média, de três a seis meses. Nesse período, é essencial adotar novos hábitos, como alimentação equilibrada para evitar sobrecarga hepática, proibição absoluta do consumo de álcool e cuidados extras com higiene devido à imunossupressão.
A qualidade de vida após um transplante de fígado bem-sucedido é excelente, pois pacientes que antes não conseguiam sair de casa devido à fadiga extrema e outros sintomas da insuficiência hepática, recuperam energia, disposição e podem retomar suas atividades profissionais e sociais